Agência O Globo – Debate sobre diversidade e inclusão cresce nas empresas

A 4ª edição do Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão, que aconteceu nos dias 20 e 21 de junho, em São Paulo (SP), foi marcada por palestras com rico conteúdo sobre o tema, rodas de conversas e dinâmicas em grupo. O evento ainda apresentou cases de empresas renomadas no mercado e suas ações para disseminar a importância da diversidade. Idealizado pela empresária Cris Kerr e organizado pela CKZ Diversidade, neste ano o Fórum contou com a presença de 246 participantes que acompanharam 10 painéis e apresentações de 24 palestrantes.

“O mote desta 4ª edição foi “Pequenas mudanças fazem uma grande diferença” justamente porque o nosso propósito é dar voz para quem faz parte da maioria da população, mas ainda é minoria nas empresas, principalmente nos cargos de liderança. A ideia é demonstrar para as companhias que a diversidade e a inclusão devem se tornar parte essencial do seu negócio, não só pelo ganho em relação a resultados, mas também porque incluir é o correto a se fazer, afinal se queremos inovar temos que ter pessoas que pensem diferente”, comenta Cris Kerr, CEO da CKZ Diversidade e idealizadora do Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão.

Visando orientar para promover a diversidade, o evento abriu seus trabalhos com a palestra sobre vieses inconscientes, ministrada por Cris Kerr, que mostrou como os preconceitos inconscientes impactam na tomada de decisão e prejudicam as relações interpessoais. As apresentações foram divididas em dois dias, abordando todos os pilares da diversidade: pessoas com deficiência, etnia e raça, gênero e LGBTQI+.

Primeiro Dia (20 de junho)

O gerente de Relacionamento e Diversidade da Fundação Espaço Eco, da BASF, Guilherme Bara, seguiu os debates mostrando a conexão da diversidade com o desenvolvimento sustentável, em que apontou os possíveis caminhos para dar voz a causa. O evento trouxe também o painel sobre os desafios da implantação da diversidade, no qual os palestrantes apresentaram programas e estratégias para promover a inclusão e a diversidade dentro das corporações. O debate contou com moderação do Carlos Temperini, sócio proprietário da Change Consultoria, e trouxe Andréa Regina, gerente executiva de Sustentabilidade Corporativa e Diversidade e Inclusão LATAM da Serasa Experian. “Nosso diferencial são pessoas, não produtos e serviços”, afirmou Andréa durante a sua apresentação.

Maria Luiza Abreu, gerente de Diversidade e Inclusão da Accenture, apresentou o “Programa Awake”, cujo o objetivo é promover a alta liderança e a inclusão. Ainda no mesmo painel, a Avianca, representada pela diretora de RH Patrícia Nicieza, apresentou o projeto “Donas no Ar”, que visa conseguir que mais mulheres se tornem pilotas, gerando oportunidades iguais de trabalho no setor, hoje amplamente dominado por homens. “Na Avianca Brasil, as mulheres respondem por 40% do quadro de colaboradores e 28% do time de liderança. Hoje, após o projeto, temos 35 pilotas na companhia e estamos trabalhando para que o número de mulheres com licenças ativas na aviação cresça ainda mais”, comentou Patrícia.

Já o painel Líderes Transformadores foi moderado por Adriana Carvalho, assessora de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres, e contou com a participação de três líderes inclusivos: Tania Cosentino, presidente América do Sul da Schneider Eletric, Josie Peressinoto Romero, vice-presidente de Operações e Logística da Natura, e Maurício Rodrigues, CFO da Monsanto.

Segundo Dia (21 de junho)

O CEO do Empreender Vida e Carreira, Rodrigo Cher, abriu as apresentações do segundo dia com a palestra Como Construir uma Cultura de Engajamento na sua Organização, na qual detalhou como deve ser o papel da liderança para melhorar o engajamento, a qualidade e a produtividade dos seus colaboradores.

Um dos principais destaques do dia foi o painel Práticas LGBTQI+, que abordou as práticas das empresas que já desenvolveram programas para incluir pessoas LGBTQI+. O painel foi moderado pelo especialista no tema, Marcello Galego, advogado e presidente da comissão da diversidade sexual e de gênero da OAB Jabaquara – OAB/SP, que apresentou o unicórnio do gênero para explicar o que é identidade e expressão de gênero, orientação sexual e afetiva.

O conteúdo foi debatido por Fabiana Araujo, gerente de Marketing da Barilla, que contou como foi reverter a imagem da marca e criar uma cultura inclusiva para a diversidade; Kaleb Machado, coordenador de Cultura e Diversidade do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, apresentou o grupo de afinidade e programa LGBT desenvolvidos na empresa; Danielle Torres, sócia-diretora da KPMG, contou como foi o processo da sua transição de gênero na KPMG e a condução da temática com os outros sócios, clientes e equipe. E Ramon Jubels, sócio e líder voices (LGBT+) da KPMG Brasil, compartilhou seus maiores aprendizados com a experiência da Danielle na corporação: “o respeito é o coração do nosso projeto”.

Outro debate importante foi o painel Gênero, Raça e Etnia, que contou com discussões sobre as ações e estratégias corporativas para trabalhar de forma transversal gênero, raça e etnia, além de apresentar as políticas de não-discriminação e as iniciativas para aumentar a diversidade étnico-racial. A executiva de RH do Empregueafro, Patrícia Santos, moderou o painel. Os palestrantes foram Julio Bueno, sócio da Pinheiro Neto Advogados, e Mylene Ramos, uma das poucas juízas negras do Brasil, do Tribunal Regional do Trabalho – TRT, que compartilhou os seus desafios na área de igualdade de gênero e raça dentro da magistratura.

Marcado por conversas significas e por histórias de trajetórias de sucesso e cases de programas voltados a inclusão de PcD´s, o painel pessoas com deficiência contou com moderação de Eliane Ranieri, consultora de Diversidade e Inclusão. E cases de Renata Franca, gerente de Diversidade e Inclusão, Talento e Mobilidade da PWC; Djalma Scartezini, gerente de Inclusão da Telefonica Brasil; e Suzy Garcia, diretora de RH da Tozzini e Freire Advogados.

O Fórum encerrou suas atividades com a palestra de Mara Behlau com o tema A Importância da Comunicação como um Instrumento de Inclusão e Pertencimento. 

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